Cerca de 60% do volume esperado para o ciclo 2013/2014 foram comercializados
Apesar dos altos custos, em torno de R$ 6 mil por hectare, a safra de algodão deve trazer rentabilidade para os produtores brasileiros. Foi o que firmou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso, durante o Seminário Perspectivas para o Agribusiness 2014 e 2015, realizado pela BM&FBovespa em São Paulo.
Segundo ele, a comercialização chegou a 60% do volume previsto para o ciclo 2013/2014. O preço, de acordo com ele, foi em torno de US$ 0,87 por libra-peso. Nos cálculos da Abrapa, a produção brasileira na safra 2013/2014 é calculada em 1,6 milhão de toneladas, com uma estimativa de exportações de 790 mil.
“Os preços obtidos estão acima dos custos de produção. Senão o produtor não teria vendido todo este volume. Acima de US$ 0,80 ainda é um patamar interessante para o produtor comercializar”, disse Pinesso, acresentando que a maior parte desse volume foi vendida ao mercado externo.
Com relação aos outros 40% que não foram comercializados, Gilson Pinesso avaliou que a tendência do mercado interno é de queda nos preços, já que o cenário de entrada de safra. No entanto, o presidente da Abrapa disse que ainda tem pelo menos um ano para o cotonicultor avaliar e tomar sua decisão de venda.
“Se o mercado interno não pagar, nós vamos para fora porque está havendo boa demanda pelo algodão brasileiro no mercado internacional. Nosso algodão não tem subsídios. Somos competitivos em qualidade e custo de produção”, disse o presidente da Abrapa
Sobre a safra 2014/2015, Pinesso informou que o nível de comercialização está em 15% com preços em torno de US$ 0,85 por libra-peso. A expectativa da Abrapa para o próximo ano é de uma produção de 1,6 milhão de toneladas de algodão, com exportações de 840 mil.
Expectativa da Abrapa para o próximo ano é de uma produção de 1,6 milhão de toneladas de algodão (Foto: Shutterstock)
OMC
O presidente da Abrapa informou ainda que já está pronto o pedido de entrada com um novo painel da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos por causa dos subsídios ao algodão. O Brasil questiona as resoluções da nova Farm Bill, a lei agrícola americana.
Gilson Pinesso disse que o envio da documentação deve ser feito no mês de junho. “A posição do governo brasileiro foi bastante firme e a gente conseguiu provar que a nova Farm Bill não atendeu todas as determinações da OMC. O governo está decidido a ir a um novo painel, contratamos os advogados e a gente está convicto de que seremos vitoriosos.”
Por: Raphael Salomão
Fonte: Globo Rural
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