Nós sabemos há anos que quando primíparas (animais que tiveram o primeiro parto) são alojadas no mesmo lote que multíparas (animais com dois ou mais partos) essas consomem menos alimento, deitam menos, e produzem menos leite quando comparado a primíparas que estariam em lotes separados. Mais recentemente, pesquisadores Europeus encontraram que primíparas que ficaram alojadas em baias separadas no primeiro mês de lactação produziram 230 kg de leite a mais e obtiveram menor incidência de cetose quando comparado a primíparas que foram alojadas com multíparas. Em adição, quando primíparas são alojadas com multíparas essas perdem mais escore de condição corporal (ECC), produzem leite com menos gordura, bebem menos água e ruminam menos, o resultado é uma perda de 10% na produção na primeira lactação.
Mas pode piorar, pois em grande parte das fazendas além de termos as primíparas alojadas com multíparas este lote ainda contém mais animais do que deveria (superlotação). Quando pesquisadores colocaram 13% mais animais que o ideal, em um lote com primíparas e multíparas a diferença na produção de leite entre estes dois grupos de animais passou de 2.7 kg de leite/dia para 6.3 kg de leite por dia. Para multíparas a queda no consumo de matéria seca (CMS) só aconteceu quando o espaço de cocho passou a ser 40 cm/animal. No caso de primíparas, um espaço de cocho de 60 cm/animal foi capaz de causar queda no CMS.
Em estudos americanos, quando primíparas queriam deitar na sua cama preferida e havia uma multípara, a primípara ruminou 40% a menos. Para comprovar este primeiro achado, pesquisadores mediram o tempo de ruminação em primíparas quando estas estavam alojadas com multíparas e depois em baias separadas. Houve um aumento de uma hora no tempo de ruminação das primíparas quando estas foram alojadas em baias diferentes.
Certamente podemos concluir que quando forçamos primíparas a competir com multíparas em um mesmo lote nós devemos esperar uma perda significativa no melhoramento genético esperado na fazenda. Um ponto de extrema importância é que estas primíparas nunca terão plena capacidade para expressar todo seu potencial genético e trazer os benefícios esperados do investimento na fazenda.
