Pasteurelose: a pneumonia dos confinamentos

Na última década, o número de confinamento vem crescendo significativamente no território brasileiro. Em 2007, cerca de aproximadamente 3 milhões de cabeças bovinas foram confinadas, esperando um aumento aproximado de 4 milhões de cabeças em 2008. Isto vem ocorrendo na tentativa de aumentar o capital de giro e diminuir o custo operacional da arroba produzida, encurtando o ciclo de abate, conseqüentemente, um retorno financeiro do capital investido.

Frente à grande escala de produção, muitas vezes, o manejo e as instalações ficam sensíveis a erros, acarretando em um comprometimento no desempenho produtivo dos animais, aumento no número de dias para abate.

Muitos confinamentos no Brasil estão localizados nas regiões de centro-oeste (MS, MT e GO) do país e oeste Paulistano, onde na sua maioria das vezes, são realizados durante a época seca do ano devido à escassez de forragens, na qual pecuaristas são forçados a mudar o manejo alimentar de seus animais. Nisso, os animais sofrem com as adversidades climáticas, além da adaptação ao novo sistema de manejo (confinamento) e do stress de transporte, ocasionando uma queda de imunidade, expondo suas defesas corporais a inúmeros agentes infecciosos. O sistema respiratório é o mais acometido, com grande destaque entre as doenças de bovinos confinados como mostra o gráfico.

Das enfermidades respiratórias que freqüentemente acometem os animais, as de origem bacteriana e as alérgicas são as de maior importância. Dentre as de origem bacteriana, destacam-se as ocasionadas pela bactéria do gênero Mannheima haemolytica (antiga Pasteurella haemolytica), também conhecida popularmente como pneumonia enzoótica, febre dos embarques, pasteurelose ou septicemia hemorrágica (Radostits et al, 2002).

Esta bactéria faz parte da microflora da cavidade oronasal e em condições de imunossupressão ou pela entrada de outros agentes (vírus ou Mycoplasmas sp.), rompem assim as barreiras do trato respiratório colonizando a porção crânio-ventral dos pulmões causando uma pneumonia fribrinótica nos animais acometidos.

Os bovinos sadios também podem adquirir a pasteurelose através do contato direto ou por inalação ou ingestão de secreções oro nasais provenientes de animais doentes.
A pasteurelose acomete bovinos de qualquer raça, sexo ou faixa etária, predispondo principalmente em animais jovens quando expostos a fatores estressantes. Os bovinos apresentam uma maior incidência de problemas respiratórios durante as três semanas iniciais no confinamento.
 
Esta enfermidade acarreta sérios transtornos financeiros aos confinadores, pois os animais infectados apresentam queda na conversão alimentar, redução no ganho de peso (GDP) diário e final, conseqüentemente um menor desenvolvimento corporal aumentando o período de dias da engorda ao abate.

Os animais acometidos se isolam dos demais, ficam deprimidos e com apetite reduzido associado a um aumento acentuado da freqüência respiratória caso sejam movimentados nos currais; febre em torno de 40 a 41ºC; crostas ao redor do muflo e secreção muco purulenta nasal e ocular são bastante comuns neste quadro. Podem serem encontrados mortos nos currais, de maneira súbita, indicando surtos de pneumonia no confinamento.

Vale ressaltar que além da sintomatologia anteriormente descrita, é de extrema importância o exame clínico do animal feito por profissional competente e capacitado para um diagnóstico fidedigno, afim de  indicar o tratamento correto e eficaz.

Para fins terapêuticos, a antibioticoterapia é, na maioria dos casos válida e indicada, uma vez que quando administrada diminui a incidência do rebanho. O antibiótico de eleição é da família das tetraciclinas, devido a sua distribuição no sistema respiratório ser bem alta, administrada em intervalos maiores conseqüentemente, menor número de aplicações por tratamento.  Conduto, outros antimicrobianos são também utilizados, como as penicilinas e sulfas apresentando respostas significativas. Porém o custo destes medicamentos (aproximadamente R$3,00 por frasco) e o número de aplicações as tornam desfavoráveis frente às tetraciclinas.

Existem algumas vacinas contra pasteurelose, porém a discordância entre pesquisadores. O que vale ressaltar é o diagnóstico precoce da doença, seja este feito por peões ou técnicos para que o veterinário seja rapidamente contactado, examinando o animal por completo descartando outras possíveis doenças, indicando o isolamento do animal doente e tratamento adequado para controle e resolução do quadro o quanto antes, a fim de minimizar perdas econômicas no confinamento.

Porém associado a isto é indicado um manejo calmo e tranqüilo nos animais que irão entrar em confinamento, ou mesmo que sejam manejados de rotina, já que as bactérias e vírus estão à espera de um momento de um simples stress, sejam estes ocasionados por gritos ou correrias durante a condução dos bovinos. Vale mais um minuto de atraso que 1 real de despesa…

Bibliografia consultada
RADOSTITS, O. M. et al. Clínica veterinária: Um tratado de doenças dos bovinos, ovino, suínos, caprinos e eqüinos. Rio de Janeiro: Guanabara/Koogan, 2002. p. 764-767.
SMITH, B. Medicina Interna de grandes animais. 2006.

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