Preço do produto no mercado externo deve seguir em alta este ano
A receita das exportações mineiras de óleo de soja, em 2010, foi de US$ 75,6 milhões. Este valor foi o mais alto desde 2001 e superou em 6,2% o último recorde, registrado em 2008. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e foram analisados pela Superintendência de Política e Economia Agrícola (Spea) da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais.
De acordo com a assessora técnica da Spea, Márcia Aparecida de Paiva Silva, o valor registrado com as vendas do óleo de soja no mercado internacional, no ano passado, foi 76,1% superior ao registrado no período anterior. “Os negócios de dezembro tiveram grande participação no resultado final, porque possibilitaram uma receita de US$ 3,2 milhões, quase 500 vezes superior à registrada em dezembro de 2009”, explicou.
No complexo soja – composto pelo grão, óleo e farelo – o óleo foi o único segmento que apresentou comportamento positivo, comparando-se os anos de 2009 e 2010.
Produto valorizado
O bom desempenho da receita da exportação mineira de óleo de soja, em 2010, foi favorecido pelo aumento de 9,8% do valor médio do produto: US$ 831,23 a tonelada. “A maior remuneração do óleo de soja é evidenciada, uma vez que o crescimento do valor das vendas externas (de 76,1%) foi superior ao incremento do volume exportado, de 60,3%”, ressalta a assessora.
Para Márcia Silva, o óleo de soja deve continuar com preço firme no mercado internacional. Ela diz que, segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a estimativa para a safra 2010/2011 é de redução de 7,9% nos estoques mundiais. “A redução do volume estocado ocorre numa conjuntura de aumento no consumo superior ao crescimento da produção global, o que pode prejudicar o suprimento diante da demanda crescente.”
No mercado americano, a situação apresentada pelos dados do USDA reforça essa conjuntura. Enquanto os estoques americanos devem reduzir em 20,4%, na safra 2010/2011, o consumo daquele país deve crescer 7,8%. Para a produção americana de óleo de soja está estimada uma redução de 3,1%, acompanhada pela estimativa de queda da produção do grão entre as safras 2009/2010 e 2010/2011.
A China, principal mercado consumidor de soja e derivados, deve ultrapassar os Estados Unidos na produção de óleo na safra 2010/2011, respondendo por 24,6% do volume global. Um fato relevante, acrescenta a assessora, é que o mercado chinês, principal consumidor de soja em grão mineira e brasileira, reduziu as compras do grão e elevou as aquisições do óleo em relação a 2009. Ela informa que as compras do óleo daquele país passaram para US$ 52,2 milhões, um aumento de 137,0%”.
Em 2010, os Emirados Árabes Unidos ficaram na segunda colocação entre os principais compradores de óleo de soja, respondendo por 14,5% das vendas mineiras. No ano anterior, aquele país não adquiriu o produto mineiro.
Segundo Márcia Silva, há necessidade de investimento em tecnologia, infraestrutura e capacitação profissional para aumentar a competitividade dos produtos mineiros, principalmente diante das condições adversas de variação cambial existentes atualmente. “O Brasil vem se especializando na produção e comercialização de commodities, conforme comprova o dado do USDA que demonstra que o país é o segundo maior produtor de soja em grão e ocupa a quarta posição na produção de óleo de soja. A venda de produtos processados, com maior agregação de valor, possibilita o aumento da receita para os produtores e exportadores brasileiros”, finaliza a assessora.
Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Assessoria de Comunicação Social
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