Já vínhamos comentando neste espaço há algum tempo que a composição de preços vigentes atualmente nos mercados do boi magro, insumos e venda do boi gordo no mercado futuro era um grande desestímulo ao confinamento no segundo semestre.
A conta simplesmente não fechava e muitos confinadores tradicionais estavam fora do mercado de reposição devido aos preços altos. A expectativa de aumento do confinamento, que era bastante forte no começo do ano, voltou para próximo da estabilidade nas pesquisas mais recentes.
Na última semana, porém, o cenário ficou um pouco melhor (ou “menos pior”) para os confinadores, já que a menor liquidez nos negócios de boi magro e a chegada do frio e seca às regiões produtoras têm trazido um volume maior de oferta ao mercado e, ainda que os preços não tenham caído de forma mais expressiva, apenas o aumento da oferta já é um bom sinal.
A boa notícia, porém, foi o forte recuo das cotações do milho no mercado interno. Na esteira da melhor expectativa do plantio da safra americana o contrato de milho setembro recuou 11,50% nos últimos 30 dias, saindo de R$30,50/saca para os atuais R$27,00/saca. Essa forte queda trouxe a relação de troca entre arrobas de boi gordo e sacas de milho para acima de 4,50 sacas por arroba, um dos melhores patamares da história. Acompanhe na figura 1.
Ainda são poucos os confinadores que usam o mercado futuro de milho para travar relações de troca favoráveis, então é cedo para especular sobre os reais impactos que essa queda no milho pode ter na intenção de confinamento, mas o fato é que se ela persistir, isso abre espaço para fortes recuos no custo da ração do confinamento. Não é a solução, mas o cenário começa a ficar melhor do que antes.
Por:Leandro Bovo
Fonte: scot Consultoria
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