O impacto da falta de chuvas sobre os solos mais pobres pode ser um dos principais desafios para a produção agrícola, segundo o diretor do laboratório de fisiologia de plantas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Jerry Hatfield. De acordo com o diretor do USDA, agrônomos terão que considerar as variações de temperatura e precipitação como parte do sistema de produção para que possam garantir a segurança alimentar exigida por uma população cada vez maior.
“À medida que a temperatura aumenta, aumenta a demanda por água e a evaporação. Nosso regime hídrico vai ser cada vez mais importante. Os solos mais pobres com menos água são os que vão mais sofrer. Não ter precipitação suficiente pode reduzir em 20,0% a produção de um solo”, disse Hatfield durante um workshop sobre os impactos das mudanças climáticas na agricultura, com a apresentação de uma pesquisa sobre o tema. O evento, que aconteceu em São Paulo, foi promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) nessa terça-feira (27/5).
Além das precipitações, alterações de temperatura e de CO2 (gás carbônico) serão alguns dos desafios enfrentados pelos produtores, mas eles também terão que se preocupar com ervas daninhas, pestes e doenças que ameaçam suas operações. “Os impactos indiretos possuem um efeito tão grande para a produtividade quanto os diretos”, disse Hatfield.
A compreensão dessas implicações para as culturas agrícolas é fundamental para o desenvolvimento de sistemas de cultivo resistentes a tensões induzidas pelas alterações climáticas, de acordo com o especialista. “Há uma variação entre as culturas em sua resposta ao CO2, à temperatura, e às alterações de precipitação, com as diferenças regionais no clima previstas. [Nos Estados Unidos] os efeitos da temperatura sobre a soja, por exemplo, poderiam potencialmente causar reduções de produtividade no Sul, mas um aumento no Centro-Oeste”, explicou em seu relatório.
Por: Filipe Oliveira
Fonte: Globo Rural
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