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Bovinos - dicas para a implantação do pastejo rotacionado

Um sistema de pastejo constitui uma combinação definida e integrada do animal, da planta, do solo e de outros componentes do ambiente e os métodos de pastejo pelos quais o sistema é manej   Acessar >>

Recuperação de Pastagens Degradadas. Conheça o Produto

Amonização de restos de culturas com uréia


Introdução

A oferta e demanda de alimentos para a população humana nos países em desenvolvimento exigem a cada dia que o crescimento da pecuária seja superior ao da agricultura. Na atualidade, é necessário restringir ao máximo a competição de alimentos concentrados entre homens e animais.

Estima-se que um terço dos cereais produzidos no mundo se destina à alimentação dos animais domésticos, em detrimento da população humana, carente destes produtos. Assim, deve-se recomendar e orientar cada vez mais o uso de subprodutos e resíduos lignocelulósicos na alimentação animal, quando devidamente tratados e corretamente administrados na dieta dos ruminantes.

Os subprodutos e resíduos agroindustriais como as palhas, o bagaço de cana-de-açúcar, casca de arroz, etc. são materiais fibrosos e inevitavelmente produzidos devido em diversas lavouras, principalmente as de cereais e de cana-de-açúcar.

A quantidade disponível desses materiais é muito grande em todo o mundo e basta dizer que se fossem utilizadas apenas 5% de maneira correta na alimentação animal, poderia suprir as necessidades dos rebanhos existentes no mundo e assim atender as demandas de energia e proteína da população mundial, carente e necessitada.

Ao longo desses anos, diversas entidades governamentais e não governamentais, quer seja por iniciativa própria ou mesmo recomendados por organizações como a ONU, buscam incansavelmente soluções sistemáticas quanto ao aproveitamento desses subprodutos e resíduos na alimentação animal. Na verdade, esses materiais, quando adequadamente tratados e tecnicamente orientados na alimentação animal, podem representar um enorme benefício à população mundial.

A composição química desses materiais, assim como o valor nutritivo, depende de vários fatores. O grau de amadurecimento da planta é um deles, pois a maioria dos nutrientes é translocada para as sementes e frutos e desta maneira poucos nutrientes permanecem em outras partes da planta. Outros fatores podem ainda afetar a composição química e o valor nutritivo de subprodutos e resíduos, como a fertilização dos solos, condições climáticas e manejo da cultura, principalmente.

Esses materiais são constituídos por três grupos de compostos orgânicos principais:

a) Celulose

b) Hemicelulose

c) Lignina

A celulose é o composto químico orgânico que existe em maior abundância nas plantas e em toda a superfície terrestre. É aproveitada pelos ruminantes em diferentes graus, com valores que oscilam desde 20% até 90%.

As hemiceluloses estão geralmente relacionadas com as gomas vegetais e derivam, principalmente, de cadeias formadas pelo açúcar pentose .

As ligninas são compostos aromáticos e têm como função principal nos tecidos vegetais proporcionar rigidez, resistência e defesa contra enfermidades. O conteúdo de lignina nas plantas aumenta com a maturidade fisiológica.

Tratamento químico
O tratamento químico é o método mais eficiente de incrementar o valor nutritivo dos materiais fibrosos para uso na alimentação animal e não afeta a atividade microbiana do rúmen e o principal efeito do tratamento é melhorar a digestibilidade da fibra, podendo-se conseguir incrementos de 45% a 86%.

O tratamento com álcali provoca mudanças na parede celular, pois dissolve a lignina, sílica e hemicelulose e não afeta a celulose. Isto contribui para melhorar a digestibilidade das palhas, quando são devidamente tratadas .

A amonização de materiais forrageiros de baixa qualidade incrementa o consumo voluntário e melhora a digestibilidade aparente da Matéria Orgânica. O Nitrogênio incorporado através do tratamento químico com uréia, é todavia, objeto de estudos para incrementar seu aproveitamento pelo gado.

Amonização de subprodutos agrícolas e agroindustriais via solução de Uréia

Tratamento com uréia

A uréia é uma substância branca, cristalina e solúvel em água. Contém 46% de nitrogênio e possui um equivalente protéico de 287% (46 x 6,25). Foi descoberta por Roule em 1773, e Prout (1818) estabeleceu sua fórmula estrutural:

H2N

C = 0

H2N


É produzida sinteticamente a partir da combinação da amônia e do dióxido de carbono e pode substituir, com eficácia, parte da proteína da ração para ruminantes.

Devido às grandes dificuldades que foram surgindo com outros métodos de tratar resíduos, ao alto custo ou mesmo perigo de manuseio, o uso da uréia para produzir amoníaco tornou-se uma boa perspectiva para os pecuaristas.

Em regiões tropicais, um nível de uréia de 5%, temperatura ambiente e teor de umidade de 40%, são as condições ideais para o tratamento de palhas e outros resíduos lignocelulósicos com solução de uréia.

O tratamento prático de palhas e outros resíduos com solução de uréia tem proporcionado resultados satisfatórios em países como Bangladesh (Saadullah et al., 1981), Índia (Verma, 1981), Srilanka (Jayasuriya, 1981) e Jayasuriya & Perera, 1982), Portugal (Silva, 1986), Espanha (Souza, 1996) e Brasil (Souza, 1996/98/99/2002).

O tratamento de forragens de baixa qualidade com solução de uréia é um método indireto de amonização dos materiais fibrosos.

A amonização desses produtos através da uréia proporciona uma maior concentração de nitrogênio e incrementa a população microbiana do rúmen, ademais de melhorar a digestibilidade da dieta .

Para uma grande quantidade de material, pode-se distribuir a solução por meio de um pulverizador, de modo que a solução seja distribuída uniformemente sobre todo o material a ser tratado. Ao final da pulverização, deve-se cobrir todo o material com uma lona de polietileno, de maneira que o ambiente se torne hermeticamente fechado.

Diversos fatores são decisivos para o sucesso do tratamento. Entre eles sobressaem-se a dosagem de uréia aplicada, o conteúdo de umidade do resíduo, o tempo de exposição do amoníaco no material a ser tratado e as condições de temperatura ambiente.

Estes são fatores decisivos para a boa eficácia do tratamento.

- Dosagem de uréia – Deve-se usar em média, 5% de uréia com base na Matéria Seca do material a ser tratado;

- Umidade final – É recomendado uma umidade final do material a ser tratado em torno de 40%;

- Tempo de tratamento – Em temperaturas de países tropicais, o ideal é deixar o material tratado por cerca de uma semana;

- Temperatura – Em países de temperaturas baixas, deve-se prolongar este tempo de tratamento em média de 40 dias.


Conclusões

- O tratamento químico desses materiais representa uma enorme perspectiva para o homem, no sentido de minimizar a demanda de proteínas de boa qualidade por meio dos ruminantes.

- Os resíduos agropecuários e agroindustriais são materiais inevitavelmente produzidos, a cada ano que passa, devido ao cultivo, criação e elaboração de produtos oriundos da agricultura, pecuária e agroindústria, como, por exemplo, cereais, frutas, carne, leite, ovos, cana-de-açúcar.

- A utilização desses resíduos e subprodutos, com tratamento químico, tem contribuído para viabilizar economicamente e incrementar o uso da enorme biomassa disponível para a alimentação de animais poligástricos e, assim, desmistificar o conceito de que os resíduos são “algo inútil” para o produtor.

- O excedente da produção de bagaço de cana-de-açúcar representa um grande potencial para uso na alimentação de ruminantes, principalmente nas regiões pecuárias, onde o período de safra coincida com a falta de alimentos volumosos, como ocorre freqüentemente no Nordeste.

- Além de minimizar o problema da fome, que tanto amedronta e afeta a humanidade, o tratamento alcalino dos resíduos e subprodutos, sem aparente utilidade na alimentação do homem e outros animais monogástricos, ajuda a evitar a poluição do meio ambiente.

- O tratamento químico proporcionaria maior utilidade dos materiais fibrosos aos produtores, já que esta prática aumenta os rendimentos na propriedade rural e, ao invés de queimá-los, o produtor passaria a vendê-los, auferindo com isso maior lucro.

- O Brasil não se deve dar ao luxo de desperdiçar a grande quantidade de celulose que existe nesses materiais. Estima-se que no território nacional produz quase a metade do total produzido na América do Sul. Este é um dado estimulante e representa uma certeza para o incremento da produtividade animal.

- Portanto o produtor não deve queimar, nem tampouco desprezar os resíduos e subprodutos agrosilvopastoris. Ao tratá-los corretamente, estará beneficiando a si próprio e contribuindo para uma qualidade de vida melhor para todos.

• O autor vem se dedicando ao estudo deste tema há muito tempo, publicou recentemente dois livros sobre o tema: 01 em Português e outro em Espanhol.


Onaldo Souza – Pesquisdor Embrapa Tabuleiros Costeiros. Doutor em Produção Animal. E-mail: onaldo@cpatc.embrapa.br;
Izabele Emiliano dos Santos - Estudante concluinte do curso de Zootecnia – UFAL.



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